Início / Venezuela prepara maior reestruturação de dívida…

Venezuela prepara maior reestruturação de dívida da história, com rombo estimado em US$ 240 bi

24 de Junho de 2026, 19:48 1 visualizações
Venezuela prepara maior reestruturação de dívida da história, com rombo estimado em US$ 240 bi

A Venezuela deve apresentar nas próximas semanas um retrato mais detalhado de suas finanças e revelar uma dívida acumulada de cerca de US$ 240 bilhões (cerca de R$ 1,3 trilhão), valor superior às estimativas feitas até agora por investidores, que calculavam um passivo entre US$ 150 bilhões (cerca de R$ 825 bilhões) e US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1,1 trilhão).

O levantamento será o primeiro passo de uma reestruturação considerada a maior já feita por um país.

O objetivo do governo venezuelano é renegociar os débitos com credores e tentar recuperar o acesso aos mercados internacionais, após anos de isolamento financeiro durante o governo de Nicolás Maduro.

A dívida supera, em tamanho, a reestruturação da Grécia em 2012, quando o país europeu renegociou cerca de US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1,1 trilhão) durante a crise da zona do euro.

Economia encolheu e dívida supera duas vezes o tamanho do país

O governo interino da Venezuela prepara um novo diagnóstico econômico que deve mostrar uma economia muito menor do que no auge do chavismo.

Segundo informações do plano em elaboração, o Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano deve ser estimado em cerca de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 550 bilhões), contra aproximadamente US$ 370 bilhões (cerca de R$ 2 trilhões) em 2012, último ano completo antes do agravamento da crise econômica.

Continua após a publicidade

Com isso, a relação entre dívida e PIB deve ultrapassar 200%, um dos níveis mais altos entre países emergentes.

A análise servirá como base para a negociação com credores, que devem pressionar por descontos no valor dos títulos e das obrigações financeiras.

Dívida reúne títulos, petróleo, China e empresas afetadas por Chávez

O passivo venezuelano é considerado complexo porque envolve diferentes tipos de credores.

A maior parcela conhecida está nos títulos emitidos pelo governo e pela estatal petrolífera Petróleos de Venezuela (PDVSA). O valor principal gira em torno de US$ 60 bilhões (cerca de R$ 330 bilhões), além de aproximadamente US$ 40 bilhões (cerca de R$ 220 bilhões) em juros acumulados após o país deixar de pagar suas obrigações.

Continua após a publicidade

A Venezuela também acumula dívidas com empresas de petróleo e fornecedores, estimadas entre US$ 30 bilhões (cerca de R$ 165 bilhões) e US$ 50 bilhões (cerca de R$ 275 bilhões), além de indenizações judiciais a companhias que tiveram ativos nacionalizados durante os governos de Hugo Chávez.

Outros passivos incluem aproximadamente US$ 10 bilhões (cerca de R$ 55 bilhões) a US$ 20 bilhões (cerca de R$ 110 bilhões) com a China, cerca de US$ 6 bilhões (cerca de R$ 33 bilhões) com a Rússia e aproximadamente US$ 4 bilhões (cerca de R$ 22 bilhões) com bancos de desenvolvimento.

Petróleo será peça central da negociação

A recuperação da produção de petróleo será um dos principais fatores para determinar o sucesso do acordo.

A Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, mas sua produção despencou após anos de falta de investimento, sanções internacionais e problemas de gestão na PDVSA.

Continua após a publicidade

Credores acompanham principalmente se o país conseguirá aumentar a exportação de petróleo e gerar receitas suficientes para pagar parte da dívida.

Dados recentes do Banco Central venezuelano mostram que as exportações de petróleo somaram US$ 5,5 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões) nos primeiros três meses do ano, acima dos US$ 4,4 bilhões (cerca de R$ 24 bilhões) registrados no fim do governo Maduro, mas ainda muito abaixo do período anterior à crise.

Governo tenta acelerar acordo fora do modelo tradicional do FMI

A Venezuela contratou o banco de investimento Centerview Partners como assessor financeiro para desenhar a reestruturação.

O plano deve seguir princípios semelhantes aos usados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), mas sem participação direta da instituição na elaboração do diagnóstico da dívida.

Continua após a publicidade

Essa decisão gera críticas entre parte da oposição e alguns investidores, que defendem uma negociação conduzida pelo FMI para garantir maior transparência sobre os números e as condições do acordo.

O fundo afirmou que não participa diretamente da reestruturação, embora mantenha diálogo com autoridades venezuelanas sobre dados econômicos.

Credores esperam uma negociação longa

Embora o governo queira fechar um acordo ainda neste ano, investidores avaliam que o processo pode se prolongar.

A variedade de credores, a falta de informações completas sobre a dívida e a necessidade de recuperar a produção de petróleo tornam a negociação uma das mais difíceis já realizadas.

Continua após a publicidade

“A questão é se isso poderá ser concluído em 2026. Existe uma pequena chance, mas acredito que o processo deve avançar até 2027”, afirmou Jeff Grills, gestor da Aegon Asset Management.

A reestruturação será também um teste para a tentativa da Venezuela de reconstruir sua economia depois de mais de uma década de crise, hiperinflação, queda da produção de petróleo e perda de acesso ao sistema financeiro internacional.

Publicidade

Veja Também

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu Comentário

Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.