A reação de maestro acusado de assédio em coral infantil
Marco Aurélio Xavier, ex-maestro do Coral Meninas Cantoras de Petrópolis, virou alvo de uma representação junto ao Ministério Público, após publicar um vídeo nas redes sociais, nesta quarta-feira, 24, em que ironiza acusações de abuso físico, psicológico e sexual. “Tem uma revistinha aí, uma repórter, sabe, que juntou umas testemunhas e falaram tudo de mal contra mim. Perderam tempo, que se tivessem me entrevistado, sou imensamente pior do que escreveram. Teria as maiores barbaridades para falar sobre mim. Afinal, meus grandes mestres foram nazi… nazistas. Fica a dica”, afirmou no trecho, apagado horas depois.
A manifestação levou a vereadora Júlia Casamasso a protocolar uma representação junto ao Ministério Público, cobrando providências imediatas. “As denúncias envolvendo o Coral Meninas Cantoras de Petrópolis exigem uma resposta firme das instituições”, escreveu ela nas redes sociais. “Pedimos a apuração dos crimes denunciados pelas vítimas, da possível prática de apologia ao nazismo e a avaliação dos requisitos para decretação da prisão preventiva”.
As acusações contra o maestro foram reunidas em reportagem da revista Piauí, que trouxe relatos de ex-integrantes do grupo sobre episódios que teriam ocorrido ao longo de mais de quatro décadas. Segundo a publicação, ex-alunas descrevem um ambiente marcado por abusos físicos, psicológicos e sexuais, além de práticas de controle e intimidação dentro do coral.
Xavier fundou o Coral Meninas Cantoras de Petrópolis em 1976, em um colégio católico da cidade serrana do Rio. Formado por meninas de 9 a 15 anos, o grupo ganhou projeção nacional ao gravar com artistas como Roberto Carlos, Gilberto Gil, Sandy & Junior e Simone. Segundo ex-integrantes ouvidas pela Piauí, o prestígio deu ao maestro uma autoridade quase incontestável sobre o coral, extinto em 2016 e reconhecido, no ano seguinte, como patrimônio cultural imaterial do estado.
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