Ibovespa sobe com mercado à espera de Fed e Copom
O Ibovespa opera em alta nesta quarta-feira, 17, com investidores à espera das decisões de política monetária dos bancos centrais dos Estados Unidos e do Brasil. No mercado americano, a expectativa é de manutenção dos juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. Mais do que a decisão em si, o foco dos agentes financeiros está nas sinalizações que serão dadas pelo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh. No Brasil, a atenção se volta para o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) e para possíveis indicações sobre os próximos passos da Selic.
Por volta das 11h30, o Ibovespa subia 0,82%, aos 171.033,58 pontos. Segundo a ferramenta FedWatch, 99,6% dos participantes do mercado esperam que o Federal Reserve mantenha os juros inalterados na reunião desta quarta-feira.
Antes do pronunciamento de Warsh, previsto para as 15h30, cerca de 43% do mercado precificava uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros americanos até a reunião de dezembro, enquanto 39% ainda apostavam na manutenção da taxa no mesmo período.
Para Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, o discurso do novo presidente do Fed será determinante para ajustar essas expectativas. “Um tom mais duro pode elevar a curva de juros americana e pressionar os mercados acionários. Já uma comunicação mais branda pode reforçar a percepção de estabilidade dos juros nos Estados Unidos até o fim de 2026”, afirma.
Segundo o especialista, a chamada “Superquarta” tende a ampliar a sensibilidade dos ativos financeiros. “O mercado não observa apenas a decisão sobre os juros, mas principalmente o tom dos comunicados. No Brasil, um corte moderado da Selic já está amplamente precificado, mas o Banco Central ainda precisa transmitir cautela diante do cenário inflacionário”, diz Murad.
Em um dia que promete elevada volatilidade, o analista ressalta que investidores devem evitar interpretações precipitadas dos movimentos de mercado. “Em dias como hoje, ETFs, fundos diversificados e uma carteira de longo prazo ajudam a atravessar os ruídos do mercado sem transformar cada decisão de juros ou declaração política em uma decisão emocional de investimento”, conclui.