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Irã canta vitória após acordo com EUA: ‘Não cedemos a ameaças ou pressão’

18 de Junho de 2026, 15:51 0 visualizações
Irã canta vitória após acordo com EUA: ‘Não cedemos a ameaças ou pressão’

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou nesta quinta-feira, 18, que o acordo que assinou na véspera com Donald Trump, na França, evidencia que seu país cedeu a “qualquer ameaça ou pressão” e se recusou a “negociar sua dignidade”.

Em uma publicação no X (ex-Twitter), acompanhada de uma imagem da versão assinada em persa do memorando de intenções que prevê o fim das hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz, ele escreveu: “Este texto é o reflexo da voz de uma nação que não negociou sua dignidade e independência por qualquer ameaça ou pressão. O que foi registrado hoje é resultado de resiliência nacional, racionalidade política e diplomacia responsável.”

Embora o presidente americano tenha garantido, na véspera, que o memorando de entendimento com Teerã “alcançou tudo o que nos propusemos a realizar, e muito mais”, embora o arranjo tenha estabelecido apenas a reabertura completa de Ormuz, em uma espécie de retorno ao status quo pré-guerra, e o início de um período de 60 dias para tratativas sobre o programa nuclear iraniano, o qual, só para lembrar, encabeçava o rol de justificativas para a incursão militar de Estados Unidos e Israel na república islâmica, em 28 de fevereiro.

As concessões americanas a Teerã tornaram-se alvo de pareceres menos positivos que os pintados por Trump. Entre elas estão:

  • Alívio imediato para o petróleo iraniano, com isenções que permitem a exportação de todos os seus derivados e cobrem serviços associados, incluindo transações bancárias, seguro e transporte;
  • Liberação de ativos congelados e fim das sanções: receitas petrolíferas do Irã retidas em bancos no exterior serão desbloqueadas e todos os tipos de sanções (primárias e secundárias, bem como resoluções do Conselho de Segurança da ONU), em cronograma a combinar nos próximos 60 dias de negociações;
  • Plano de reconstrução: haverá a criação de um fundo privado de pelo menos US$ 300 bilhões voltado a reerguer o país devastado e incentivar o desenvolvimento econômico do Irã;
  • Fim do bloqueio naval e retirada de tropas: os Estados Unidos vão encerrar completamente seu cerco aos portos iranianos e retirar soldados do Oriente Médio em até 30 dias.
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Nesta quinta, em postagem na rede Truth Social, no caminho de volta da cúpula do G7 na França, Trump descreveu seus críticos como “invejosos, más pessoas ou estúpidos” por acharem que ele não foi “suficientemente duro com o Irã”. O presidente americano exaltou o mercado de ações, que atingiu um “RECORDE HISTÓRICO” e disse que os preços globais do petróleo estavam “despencando”.

Críticas

Apesar do alívio nos mercados, que viram o preço do barril de Brent, referência internacional, cair para US$ 77,8 nesta quinta, primeira vez em que é negociado abaixo de US$ 80 em três meses, desde que Trump anunciou que havia chegado a um acordo com o Irã no último domingo, ele virou alvo de críticas de todos os lados: democratas anti-guerra, gente anti-Irã e até conservadores que apoiaram a Casa Branca ao longo do conflito.

Inicialmente, as críticas se concentraram na falta de detalhes sobre o acordo e, posteriormente, miraram os próprios termos do arranjo. O senador republicano Bill Cassidy, da Louisiana, afirmou que a guerra ao Irã foi “o pior erro de política externa em décadas”. O comentarista conservador Ben Shapiro, que havia apoiado a incursão militar contra Teerã, por sua vez, descreveu o acordo como um “desastre”. Já o ex-conselheiro de Trump, Steve Bannon, um dos faróis da extrema direita global, destilou críticas ao fundo de US$ 300 bilhões destinado à reconstrução do Irã: “Não podemos dar todo esse dinheiro para esses caras”, disparou.

Enquanto isso, a opinião geral dos democratas pode ser resumida em um tuíte do senador Chris Murphy, de Connecticut: “O que aconteceu aqui é simples. Vocês perderam uma guerra que nunca deveriam ter começado e se renderam nos termos do Irã. Os oponentes da guerra podem se alegrar com o fim da guerra e também apontar que este acordo insano é a prova definitiva de que toda a guerra — que vocês aplaudiram — foi uma calamidade total.”

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