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Lula e Zelensky se reúnem após cúpula do G7 e marcam ‘encontros futuros’

17 de Junho de 2026, 15:11 0 visualizações
Lula e Zelensky se reúnem após cúpula do G7 e marcam ‘encontros futuros’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, se reuniram nesta quarta-feira, 16, em Évian, na França, às margens da cúpula do G7.

Em nota, Zelensky elogiou o encontro, que teve como centro “os caminhos para encerrar a guerra agressiva da Rússia”.

“O presidente compartilhou suas opiniões sobre possíveis abordagens diplomáticas. Eu informei sobre a atitude real da sociedade russa em relação à guerra, bem como sobre nossa interação diplomática com os EUA e outros parceiros. Acordamos sobre contatos futuros”, disse o presidente. 

No ano passado, os dois se encontraram às margens da Assembleia Geral, em Nova York. Na ocasião. Zelensky afirmou que “Lula me disse que fará o possível para a paz na Ucrânia”, dizendo também ter apreciado “sinalizações feitas pelo Brasil”.

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Em nota, à época, o governo brasileiro afirmou que Lula “reiterou sua convicção de que não haverá saída militar para o conflito”, expressando apoio a diálogos diretos entre as partes e maior engajamento da ONU na busca por uma solução negociada. Para o Brasil, “um entendimento sobre as condições de um cessar-fogo deveria ser o primeiro passo de um processo de negociação”. 

+ Ucrânia recupera mais território do que perde e interrompe avanço russo, afirma Kiev

Em entrevista a VEJA, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, já havia adiantado que seu país “conta com um papel mais ativo do Brasil” para esforços de paz, reconhecendo e elogiando participação de Lula para intermediar, através de conversas com o presidente russo, Vladimir Putin, um encontro entre representantes de Kiev e Moscou, que aconteceu em Istambul.

A mudança de tom e os encontros recentes seguem relações muitas vezes conturbadas. Em 2025, por exemplo, Zelensky chegou a afirmar que o “trem do Brasil passou”. Cogitou-se que os dois poderiam se encontrar para uma bilateral às margens da cúpula do G7, em junho passado, no Canadá, o que não aconteceu.

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Também em 2025, Zelensky rejeitou publicamente a proposta da China e do Brasil para o fim da guerra, acusando os dois países de tentarem “aumentar seu poder às custas da Ucrânia”. Lula, em dura resposta, criticou o ucraniano pelo fracasso em encontrar uma solução para o conflito, que se arrasta desde fevereiro de 2022.

Guerra na Ucrânia

Durante a cúpula do G7, a, onde seus aliados tentam convencê‑lo a intensificar seu apoio a Kiev contra Moscou. o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 16, que “a Rússia deveria alcançar um acordo” com a Ucrânia.

“A Rússia deveria alcançar um acordo. A Rússia perdeu uma quantidade enorme de pessoas, e a Ucrânia também”, declarou Trump a jornalistas após uma reunião bilateral com o emir do Catar. “A única razão pela qual me envolvo nisso é que não gosto de ver a morte de 25 mil jovens a cada mês. Reconheçam que tudo isso é ridículo. Então, sim, farei tudo o que puder para acabar com isso”, acrescentou.

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Eufórico após o anúncio do acordo com o Irã, Trump chegou na segunda-feira à cidade francesa de Evian, sede do encontro de cúpula, dizendo ter intenção de “fazer algo” sobre o conflito na Ucrânia, que já dura mais de quatro anos. O americano confirmou nesta terça que teve uma “reunião” na véspera com Zelensky, e que outras conversas estavam previstas ao longo do segundo dia de cúpula.

Os aliados do G7 concordaram, durante a sessão de trabalho dedicada à segurança da Europa e da Ucrânia, em “aumentar a pressão sobre a Rússia por meio de sanções sobre o gás e o petróleo”, a principal fonte de financiamento da guerra de Moscou, disse uma fonte diplomática francesa à agência de notícias AFP. Os governantes também o apoiarão “fornecendo à Ucrânia meios de defesa antiaérea, meios para se proteger melhor, meios para consolidar os avanços” de Kiev, acrescentou a fonte.

Segundo Kiev, o momento é de avanços no campo de batalha. Ao longo de maio, a Ucrânia teria retomado mais território do que perdeu para a Rússia, interrompendo uma sequência de ganhos mensais das forças de Moscou. Segundo o comandante-chefe das Forças Armadas ucranianas, Oleksandr Syrskii, o resultado reflete uma estratégia voltada a sufocar a logística inimiga, com ataques cada vez mais frequentes a depósitos de combustível, munições e rotas de abastecimento.

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Em publicação no Telegram na semana passada, Syrskii afirmou que a diferença entre as áreas recuperadas e perdidas no mês passado foi de quase 100 quilômetros quadrados em favor da Ucrânia. O portal ucraniano Militarnyi, citando fontes militares, estimou ganhos líquidos ainda maiores, de cerca de 120 quilômetros quadrados.

Dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), centro de pesquisa sediado em Washington que monitora o conflito, apontam na mesma direção. Segundo a organização, a Rússia perdeu o controle de aproximadamente 280 quilômetros quadrados em maio, enquanto avançou sobre cerca de 40 quilômetros quadrados de território ucraniano.

Segundo dados divulgados por Kiev, drones ucranianos de curto e médio alcance atingiram cerca de 180 mil alvos em maio, um aumento de 12,7% em relação ao mês anterior. O governo também afirma ter ampliado sua capacidade de interceptar drones Shahed lançados pela Rússia, apesar da escalada nos ataques.

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